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Um estudo sobre a mobilidade ativa de idosos em uma cidade de porte médio a partir da abordagem socioecológica

Autores

Palavras-chave:

idosos, mobilidade ativa, modelo socioecológico

Resumo

O crescimento da população idosa, no Brasil e no mundo, reforça a necessidade das cidades se planejarem para acolher esta população, garantindo a qualidade de seu deslocamento de forma segura e autônoma. Neste sentido, a pesquisa buscou realizar um estudo sobre a mobilidade ativa de idosos em uma cidade de porte médio a partir da abordagem socioecológica. Esta abordagem propõe verificar diferentes níveis de influência na relação do indivíduo com o ambiente. Para o estudo foram estabelecidos os níveis: individual, social, ambiente físico e políticas públicas, sendo cada nível caracterizados por fatores. O objetivo do estudo foi identificar fatores que influenciam na mobilidade ativa de idosos e avaliar a percepção destes indivíduos em relação aos fatores, além de analisar a importância dos níveis socioecológicos na mobilidade ativa de idosos. Para isto, os fatores mais citados na literatura foram classificados de acordo com seu respectivo nível socioecológico. Em seguida, foi elaborado um instrumento de pesquisa para avaliar a percepção dos idosos sobre os fatores e o instrumento foi aplicado na cidade de São Carlos-SP. A partir dos resultados, verificou-se que, em relação ao nível individual, a maior parte dos idosos apresentou uma atitude positiva sobre caminhar, mostrando afinidade com a prática. Porém, de forma efetiva, a maior parte foi classificada como indivíduos não ativos (caminham menos de 150 minutos na semana). Em relação ao nível de influência social, observou-se de forma geral, que o apoio de familiares e amigos foi neutro para o incentivo à caminhada. Ao avaliar separadamente, familiares tendem a incentivar mais os idosos a caminhar do que amigos. O nível de ambiente físico do bairro também foi avaliado como neutro. Apesar de fatores como qualidade de calçadas, estética (sem mato, lixo, etc.) e seguridade (medo a assalto e agressões) serem avaliados como ruins, desestimulando a caminhada, fatores como mistura de usos do solo e caminhos alternativos contribuem positivamente para a prática da caminhada. Em relação ao nível político, para os idosos, espaços destinados aos pedestres não são bem geridos pela administração pública. Após obter a percepção dos idosos, foi calibrado um modelo de regressão logística binária para verificar qual ou quais níveis foram mais relevantes para que os idosos sejam ativos. Verificou-se que o nível socioecológico mais relevante foi o ambiente físico, seguido do nível individual e do apoio social. O nível político não se mostrou estatisticamente significativo para o modelo de regressão. Compreender a importância dos níveis possibilita aos gestores uma visão macro sobre as necessidades da cidade e, ao observar a percepção dos idosos sobre os fatores correspondentes a cada nível, identificar o que atua como barreira e estímulo, fomentando informações que possibilitam que sejam criadas medidas de incentivo a mobilidade ativa de idosos.

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Arquivos adicionais

Publicado

2022-08-26

Versões

Como Citar

Mação Bernal, L., & da Penha Sanches, S. (2022). Um estudo sobre a mobilidade ativa de idosos em uma cidade de porte médio a partir da abordagem socioecológica. Engenharia Urbana Em Debate, 3(1/2), 46–47. Recuperado de https://www.engurbdebate.ufscar.br/index.php/engurbdebate/article/view/73

Edição

Seção

Resumos de teses/Dissertações

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